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Catherine Henry - My Blog
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A CIA - Central Intelligence Agency obtém ricas informações de blogs

Publicado no Blog Inteligência Competitiva

"CIA mines 'rich' content from blogs" (CIA pesquisa rico conteúdo de blogs) é o título do artigo publicado no "The Washington Times" de 24 de agosto de 2008, mostrando como os blogs podem ser uma valiosa fonte de informações.

É importante para quem tem um blog saber o que deve ou não publicar, pois esta ferramenta de comunicação, aparentemente inofensiva, tem abrangência mundial e é fonte de informação aberta, podendo ser acessada por qualquer pessoa.

Este blog passa, a partir deste momento, ser monitorado pela CIA pelo fato de terem sido utilizadas algumas palavras-chave, associadas à segurança doméstica americana e que são sistematicamente monitoradas pelos sistemas de rastreamento de comunicações (telefone, fax e email) da NSA - National Security Agency.

O artigo do "The Washington Times" foi mantido em inglês, como originalmente publicado.

President Bush and U.S. policy-makers are receiving more intelligence from open sources such as Internet blogs and foreign newspapers than they previously did, senior intelligence officials said.

The new Open Source Center (OSC) at CIA headquarters recently stepped up data collection and analysis based on bloggers worldwide and is developing new methods to gauge the reliability of the content, said OSC Director Douglas J. Naquin.

"A lot of blogs now have become very big on the Internet, and we're getting a lot of rich information on blogs that are telling us a lot about social perspectives and everything from what the general feeling is to ... people putting information on there that doesn't exist anywhere else," Mr. Naquin told The Washington Times.

Eliot A. Jardines, assistant deputy director of national intelligence for open source, said the amount of unclassified intelligence reaching Mr. Bush and senior policy-makers has increased as a result of the center's creation in November.

"We're certainly scoring a number of wins with our ultimate customer," said Mr. Jardines, who became the first high-level official in charge of the government's nonsecret intelligence in December.

"I can't get into detail of what, but I'll just say the amount of open source reporting that goes into the president's daily brief has gone up rather significantly," Mr. Jardines said. "There has been a real interest at the highest levels of our government, and we've been able to consistently deliver products that are on par with the rest of the intelligence community."

Mr. Naquin said recent OSC successes have included the discovery of a technology advance in a foreign country. Also, most data on avian flu outbreaks come from open sources, he said.

"Have we got coups out of it? Close to it," Mr. Naquin said. "But certainly we've had more insight than we've ever had before."

The OSC uses powerful computers and software technology to "sift" the Internet for valuable intelligence. It also buys information from commercial databases.

In the past, open-source reports were used mainly by intelligence analysts.

"But now our customer base literally ranges from the president to local police departments," Mr. Naquin said. The Fairfax County police use OSC products, as do police departments in San Diego, New York and Baltimore. The center also provides support to the U.S. military.

A Defense Department official said Chinese military bloggers have become a valuable source of intelligence on Beijing's secret military buildup. For example, China built its first Yuan-class attack submarine at an underground factory that was unknown to U.S. intelligence until a photo of the submarine appeared on the Internet in 2004.

The center took over the CIA's Foreign Broadcast Information Service, known as FBIS, that was formed in 1941 to translate foreign broadcasts.

The OSC is doubling its staff and bringing in material from 32 government agencies that also produce unclassified reports, Mr. Jardines said.


August 25, 2008 | 7:08 AM Comments  0 comments

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O que está havendo é muito grave: leia até o fim por favor

Escrito por Brasileira Insone em seu blog: Republico o texto da minha colega de orkut aqui porque o que está acontecendo do ponto de vista da Liberdade de Expressão no Brasil é muito grave. Está na hora de tomarmos a única atitude que podemos tomar. Falar sobre o assunto. Leia por favor.

******

Estes últimos dias foram intensos. Tenho tanta coisa a dizer que às vezes parece que estão saindo letrinhas pelos orifícios da minha cabeça.

Eu entendo que muitos estejam fazendo pouco caso do que está acontecendo.

Uma parte destas pessoas se esquece de que este não é um problema que deve preocupar apenas usuários do Orkut.

Trata-se de um precedente que coíbe a manifestação política, a publicidade espontânea do voto de cada um e o debate em busca de outros.

Não importa o ambiente, se é aquele que a gente usa ou não. Importa combater o que está errado mesmo que, num primeiro momento, isso não esteja nos atingindo.

Mas a maior parte talvez não esteja se importando muito porque julga que o Orkut é uma coisa para adolescentes e crianças. Enganam-se. O Orkut é uma ferramenta – nada mais que uma ferramenta – como outra qualquer, como um lápis, como um carro.

Um lápis pode ser usado por uma criança para fazer desenhos, mas também pode servir para um grande homem escrever sua obra-prima e ganhar o Prêmio Nobel. E o mesmo lápis pode servir para o chefe de uma quadrilha enviar um recado aos seus comparsas. Igualmente, um carro pode servir tanto para dar um passeio, como para levar alguém ao hospital ou para assaltar um banco. Tudo depende do uso que se dá.

Em especial, o Orkut é uma ferramenta que propicia 1) o reencontro de pessoas que não se viam há muito tempo; 2) a aproximação de pessoas que têm pensamentos ou interesses afins; e 3) o debate franco sobre qualquer assunto, com todas as vantagens e desvantagens que isso tem.

Por isso, creio que é hora de fazer alarido público e junto à imprensa, sim. O fato de interferirem, da forma como estão interferindo, no Orkut é coisa grave, e deve despertar a atenção dos defensores da democracia e da liberdade de expressão. Essa determinação do TSE simplesmente nos deixou sem ação na internet, como cidadãos. É um descalabro que a justiça impeça que os cidadãos declarem publicamente seus votos (como muitos faziam no seu avatar) em um ambiente privado (sim, o Orkut, embora virtual, é um ambiente privado – já volto a falar sobre isso). É como se entrassem no nosso quintal e dissessem: "não, vocês não podem usar bottons do candidato de vocês, nem balançar bandeiras etc".

Estas coisas costumam funcionar como dominó (se não pode isso, também não pode aquilo; se não pode aquilo, aquele outro também não etc.), como já estão funcionando: hoje à tarde foram apagados mais perfis de nossos amigos, incluindo um em homenagem ao Mário Covas, sem banner nem nada – que, me digam, o que tem a ver com o peixe da eleição deste ano?

Segundo o que estamos vendo acontecer, perfis que simplesmente tenham banner do candidato e/ou seu número estão sendo apagados. Então pergunto: e campanha contra, pode? Por exemplo, se eu quiser colocar um banner com Eu não voto em corruPTos, ou quiser colocar Fora Marta ou Fora Gleisi, aí pode? E se eu colocar Geraldo Alckmin Prefeito ou Beto Richa Prefeito no meu sobrenome, aí pode? E se eu pedir votos para as pessoas nas comunidades, mesmo sem ter nada no perfil, pode? Como é que vão vigiar tudo isso? E qual é a diferença entre isso e usar um botton no peito e sentar na mesa de um bar e tentar convencer os amigos a votar no meu candidato? Ou vão querer vigiar isso também? E se eu copiar e colar (com a fonte) a notícia boa e/ou ruim sobre um candidato de um jornal, revista ou portal de emissora de TV num tópico? Ou copiar e colar o comentário do blog de um jornalista de opinião, favorável a um candidato, numa comunidade? Isso não é fazer campanha na internet também? Ou até o jornalista no blog dele vai ser censurado? Por que é que pode elogiar um candidato no blog dele não pode copiar a opinião dele para cá ou espalhá-la no Orkut? Como diferenciar o que é fazer campanha do que não é? Ou só pode se manifestar "politicamente" (?) na internet quem é jornalista ou ainda não tem certeza de em quem vai votar?

Vou dar o exemplo do meu caso. Não estou oficialmente na campanha de qualquer político. Escrevo o que escrevo e falo o que falo POR CONTA PRÓPRIA, de forma INDIVIDUAL. Nem filiada sou. Não fui contratada, não recebo nada por isso e duvido que os partidos e políticos tenham a menor noção de que eu existo. Não tenho vínculo com nenhum partido ou político, exceto os estabelecidos pelas minhas convicções: sou movida POR ELAS E NADA MAIS. Portanto, já fiz minhas escolhas e tenho lado. E eu não posso manifestar isso no Orkut, usando um banner na minha foto, criando e gerenciando ou ao menos participando de uma comunidade para demonstrar minhas posições e debater os assuntos desta eleição? Não posso criar um perfil exclusivamente para isso, com o intuito de proteger minha intimidade e também meus amigos e familiares das ameaças que já recebi no meu primeiro perfil?

Controles como este que estão tentando impor, nem a própria ditadura militar conseguiu. Para banir de vez a campanha política no Orkut, seria necessário apagar todo o conteúdo da categoria "Política", já que a subjetividade de interpretação é vastíssima. Aí nós ficaríamos em outros fóruns do Orkut, debatendo as melhores maneiras de fazer uma bola de chiclete. Belo país estaremos construindo! E os blogs de opinião, então, terão que publicar desenhos animados e poesias. Quem tem mais de 40 anos sentiu arrepiar os pêlos da nuca, não é?

Antes de terminar este post, é preciso esclarecer uma coisa: o Orkut é um ambiente privado. Quem manda nele é o pessoal que gerencia o Google/Orkut. Nós estamos lá por comodato. Se, do dia para a noite, o próprio Orkut decidir que não quer mais debates políticos (ou religiosos ou sobre futebol, que são os três grupos que mais dor de cabeça dão para eles – e nenhum lucro) no seu espaço, estarão em pleno direito. Seria até compreensível, já que dá para entender perfeitamente que é pesado demais para o Google/Orkut, juridicamente falando, carregar como missão social a manutenção de assuntos tão polêmicos.

Mas, profissionais que são, duvido que os responsáveis pelo Google/Orkut decidissem tal coisa sem um aviso prévio razoável, como se fossem a Rainha de Copas de Alice no País das Maravilhas gritando "cortem-lhe a cabeça!". Ainda assim, não caberia chamar esta situação de censura, e nós não poderíamos impor nossas expressões políticas por lá, cabendo-nos apenas lamentar, fazer back-ups e procurar outro espaço.

Acontece que esta imposição vem de fora. E seria feita mesmo que estivéssemos em outro site de relacionamentos. É claro que o Orkut incomoda mais porque é mais freqüentado, mas, tão logo outro ambiente se tornasse vultoso, sofreria as mesmas sanções.

Eu realmente não sei o que fundamenta esta resolução do TSE. Num país cuja maior mazela é o desinteresse político das pessoas e o afastamento dos cidadãos de bem dos assuntos públicos, a internet se tornou o lugar perfeito para estimular, seduzir e reaproximar as pessoas do tema, dado seu caráter ao mesmo tempo democrático e meritocrático, que dá abrigo a todos sem discriminações de cor, classe, gênero, religião ou idade, fazendo sempre destacar aquilo que realmente tem melhor qualidade.

Estas características tornam a internet atrativa a pessoas de todo nível de qualificação, puxando os debates para cima, uns aprendendo com os outros. E o Orkut, vastamente utilizado pelos jovens, tornou-se um local de especial fertilidade para o assunto. Será que, como disse meu amigo Thiago (ver posts abaixo), temem o envolvimento do jovem ou de mais setores da sociedade com a política? Temem o debate? Céus, mas tudo do que mais precisamos é debate! Debate entre candidatos, debate entre ideologias político-parditárias, debate de idéias, enfim, coisas que, pela legislação atual, já não podemos ver mais na TV ou ouvir no rádio, já que tudo virou panfletagem simplória.

Como é que o eleitor vai escolher direito, se está tudo amarrado? Se não é possível saber quem é melhor ou pior, já que plastificaram todos do mesmo tamanho, com este maldito isentismo que é parcial, pois quer que desiguais pareçam iguais?

Entendo que os únicos perfis ou textos que, sendo políticos ou não, devem ser cerceados em qualquer parte, não só no Orkut, são os que cometem ou fazem incitação ao crime (como venda de drogas, referências diretas a grupos armados e milícias etc.), pedofilia e propaganda nazista. Defendo veementemente a liberdade plena de expressão de opinião, sobretudo a política. Sobretudo num país que padece da falta de interesse da sociedade com o assunto. Sobretudo num país onde os maus avançam porque os bons silenciam.

Não silenciem. Não nos deixemos silenciar.


August 22, 2008 | 7:08 AM Comments  0 comments

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Na contramão da História

Justiça diz que candidatos não podem se promover na web.

Determinações da Justiça eleitoral sobre o uso da internet atingiram as candidaturas de Geraldo Alckmin (PSDB), que concorre à prefeitura de São Paulo, e de Manuela D´Ávila (PCdoB), candidata à prefeitura de Porto Alegre (RS).

Em São Paulo, o juiz Marco Antonio Martin Vargas, da 1ª Zona Eleitoral, determinou que Alckmin retire de sua página de campanha na internet vídeos veiculados no site YouTube e deixe de instalar links para que o usuário possa acessar essas imagens.

"A página do candidato não pode ser relacionada com outros sites gratuitos, como forma de extensão da propaganda eleitoral", diz o juiz.

A decisão, em caráter liminar, é fruto de representação da coligação São Paulo no Rumo Certo, de Gilberto Kassab (DEM).

O juiz rejeitou, no entanto, como pretendia a representação, que a campanha de Alckmin retire as imagens do próprio YouTube.

"Não há como ser verificada a responsabilidade dos representados na inserção dos vídeos contidos na página da internet conhecida como YouTube e tampouco é possível a retirada coercitiva desses vídeos daquele site", afirma o juiz, mencionando a liberdade de expressão como garantia pela manutenção dos vídeos hospedados no YouTube.

A assessoria de Alckmin informou que os links foram retirados preventivamente, quando a representação foi impetrada na semana passada.

Em Porto Alegre, a liminar da Justiça eleitoral foi mais longe ao determinar a retirada de uma comunidade do Orkut e de um vídeo do YouTube relacionados à candidata Manuela d´Ávila por considerar que veiculam material de campanha da deputada à prefeitura.

A decisão de sexta-feira do juiz Ricardo Hermann da 1ª zona eleitoral foi tomada a partir de uma representação do Ministério Público Eleitoral.

Segundo a assessoria do TRE-RS, o juiz entendeu que, pelas normas definidas pelo Tribunal Superior Eleitoral, os candidatos podem ter uma única forma de exibição na Internet. A equipe de Manuela alega dificuldades para cumprir a decisão.

"Não fomos nós que criamos a comunidade no Orkut e teremos dificuldades técnicas para retirar", disse Gustavo Alves, assessor de comunicação de Manuela.

Além da comunidade no Orkut e do vídeo no YouTube citados na liminar, existem outras duas comunidades e vários vídeos disponíveis sobre Manuela. Ela possui ainda dez perfis no Orkut e uma página oficial de seu mandato como deputada.

Oficialmente, nenhum seria de responsabilidade de sua campanha, mas a candidatura da jovem deputada comunista reconhece a Internet como um poderoso aliado. O desafio é adequar as ferramentas à legislação eleitoral.

"Estamos investindo tudo o que é possível, dentro da rigidez desta legislação, para disponibilizar o máximo de informações para o eleitor", disse Alves.

Fonte: FSP
O fato é que a comunidade do Orkut de Geraldo Alckmin que tem tradição e muita história para contar pois existe desde a campanha a presidente, foi para o espaço também.
  • Senhor Juiz, como assim o site na internet do candidato não pode apontar para outros inks? a internet é uma rede de links. Não existe isso de ficar estático na internet. Estamos na web 2.0 e EXIGIMOS poder debater virtualmente na internet sobre os candidatos, quaisquer que sejam. Para esse juiz aconselho um passeio básico pela campanha do Obama na internet para ver em quantas redes sociais ele está trabalhando.
  • O candidato Geraldo Alckmin não é dono da comunidade no Orkut. Portanto a comunidade não pode ser deletada ao bel pazer de um juiz que não entende nada de internet.
Isso que está acontecendo no Brasil desde a promulgação dessa lei mal feita é um absurdo e um atentado às liberdades individuais. Nós temos o direito de querer conhecer e debater sobre os candidatos. Afinal somos nós que vamos pagar seus salários! QUE ABSURDO!

August 20, 2008 | 11:08 AM Comments  0 comments

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Falando sobre o Dr. Walter Loewenstein - Meu pai

Por Marta Loewenstein*
Ele tinha o maior orgulho de tudo que havia construído e conquistado na Aliança Metalúrgica (que ele chamava simplesmente a Fábrica). Estas conquistas conseguidas a duras penas eram batalhas diárias com seu pai, Max Loewenstein, que, sempre que podia, restringia as verbas para os melhoramentos que queria introduzir na Fábrica. Mas ele conseguia convencer o pai. Tinha sempre bons argumentos e sabia como tocar o “orgulho” do pai. Em 1960 a Fábrica era a quinta melhor do Brasil na área de metalúrgicas.
Meu pai era um excepcional observador de pessoas. Percebeu que os empregados, na segunda-feira, chegavam cansados e aconteciam muitos acidentes, principalmente se o Corinthians ganhasse o jogo do domingo:  era o efeito comemoração.
Então introduziu um novo horário de trabalho: na segunda podiam chegar uma hora mais tarde – a taxa de acidente reduziu-se drasticamente.

Havia um grande refeitório e sempre muito limpo. Os empregados almoçavam refeição preparada sob um cardápio elaborado por nutricionistas (já na década de 60!) e pagavam o equivalente a centavos de cruzeiro, que era descontado do salário – hoje são os tickets refeição. Ele também almoçava lá. Não havia separação entre empregados e a Diretoria.

Mas ele reparou que os empregados ficavam muito anciosos pela chegada do horário do almoço e quando a sirene tocava, saiam correndo para o refeitório. Alguma coisa não estava certa!  Acabou descobrindo que a maioria saía de casa sem tomar o café da manhã! Então introduziu o “café da manhã”. Os empregados chegavam 10 minutos mais cedo e recebiam, livre de custos, um belo copo de café com leite e um pão com bastante manteiga. Acabou a correria para o refeitório na hora do almoço e todos trabalhavam bem mais animados no período da manhã. Obviamente também diminuiu mais ainda a taxa de acidentes.

Na linha de produção mais leve, principalmete polimento e montagem de fechaduras, ele empregava cegos, surdos e mudos, cadeirantes – eles eram mais dedicados. E mulheres que tinham mãos mais delicadas e não quebravam as peças menores.

Mas estas mulheres também eram mães. Então montou-se uma creche, ali mesmo dentro da Fábrica. Todas as mães podiam, a cada duas horas,  ver e amamentar seus bebês. Era um espaço muito aconchegante e os bebês cuidados por enfermeiras e assistentes de neo-pediatria. Ninguém ficava ansioso, nem a mãe nem o bebê.

Os empregados, às vezes, ficavam doentes. As filas do Serviço Médico do Sindicato dos Metalúrgicos e do IAPI eram piores do que as atuais filas do INSS. Um serviço médico dentro da Fábrica ficava bem mais barato e o empregado não faltava ao serviço. O plantão de 24 horas era coberto por enfermeiros/as diplomados e todos os dias médicos, a cada dia uma especialidade, atendiam os empregados com hora marcada, para que não precisassem  abandonar seu posto de trabalho para enfrentar filas. Alguns tinham problemas dentários: meu pai montou um gabinete dentário e colocou o primo dele, Dr. Arne Koblinski, um bom dentista, para atendimento dentário. Era tão bom o serviço que até eu fazia meu tratamento lá.

Se o empregado tinha algum problema familiar ou emocional era atendido pela Assitente Social ou pelo Psicólogo, que estavam todos os dias trabalhando junto ao Departamento Pessoal. Se tinha problemas financeiros podia pedir um adiantamento sobre o salário. E tinha um empréstimo a longo prazo para construção de casa própria.

Como não haviam ainda os tickets alimentação foi montada uma cooperativa onde os empregados compravam alimentos e roupas e o valor era descontado da folha de pagamento. Mas estes alimentos e roupas eram repassados a preço de atacado. A Cooperativa não visava lucro!

Muitos empregados moravam longe: dois ônibus da Fábrica iam buscá-los.

No Jaçanã não existiam jardins de infância. Ele construiu um nos fundos da Fábrica com muitos aparelhos de recreação para os filhos dos empregados.  Eu adorava ir lá. Já tinha oito ou nove anos mas parecia que o Jardim havia sido construído para mim! E tinha um nome parecido com o  meu: Martha Löwentein, que era minha bizavó. Claro que os pais das crianças também podiam brincar! Um belo campo de futebol e outros atrativos para adultos estavam à disposição deles fora do horário do expediente.

Uma Lei nova instituiu as CIPAs - Comissão Interna de Prevenção de Acidentes, no Brasil. A da Aliança foi uma das primeiras a ser instituída e meu pai participava da maioria das reuniões. Muitas boas idéias surgiram destas reuniões, e o empregado que as tinha sugerido, se elas se mostrassem exeqüíveis, ganhava prêmios, que podiam ser até em dinheiro!  Adotou-se o uso dos turbantes para todas as mulheres, seus cabelos não encostavam nas máquinas e não sujavam!

O SENAI estava sendo montado, não tinha ainda oficinas para treinar os alunos. Meu pai ofereceu a oficina de ferramentaria para que dessem aulas à noite quando as máquinas ficavam ociosas. Foi uma das primeiras oficinas do SENAI no Brasil.

Um aluno muito esperto e inteligente, que meu pai elogiava muito, tomava duas conduções para chegar à Fábrica. Quase não perdia aula. Nos ônibus de São Bernardo até o Jaçanã ele aproveitava para estudar, ou dormir, quando estava muito cansado. Numa noite um dos seus colegas cochilou sobre uma das máquinas e ele se acidentou. Perdeu o dedo mindinho num dos tornos. Meu pai cuidou para que ele tivesse a melhor assistência. Ele se formou como ferramenteiro e foi trabalhar em São Bernardo. Lá percebeu que nenhuma fábrica tinha o que ele havia visto na Aliança.

Alguns anos mais tarde este menino virou lider sindical e “bagunçou” a vida do Brasil. Tanto fez que chegou à Presidência deste país.

O nome dele?  Luis Inácio da Silva, que ainda não era Lula!

* Marta é poeta, fotógrafa e orquidófila


August 16, 2008 | 2:08 AM Comments  0 comments

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Mensagem aberta a minha Amiga Cris Meinberg do Formare

Foto: 13 de agosto, formatura da primeira turma do Formare em Amparo

Querida Cris,

Quando conheci o Formare, primeiro através de referências do terceiro setor, e em seguida, em Amparo na Magneti Marelli, tive a certeza de que fazemos parte de uma grande rede de pessoas de boa vontade, prontas para ajudar o Brasil. Você que brilha de entusiasmo, como representante da Fundação Iochpe, dona da franquia social Formare, é uma das grandes responsáveis pelo sucesso desse magnífico projeto de educação empresarial para jovens. Com sua simpatia e alegria naturais, cativa a todos e injeta energia para ir em frente. Pelo Brasil. Obrigada por sua amizade, ela é muito importante para mim.

Convido você e os meus caros leitores a visitar o blog Jornal Amparo que mantenho para dar boas notícias do que acontece aqui e onde escrevi um artigo sobre o evento de formatura de ontem. Foi muito bonito e emocionante. O Formare é um Grande Exemplo a ser seguido. Você lê mais clicando aqui.


August 15, 2008 | 7:08 AM Comments  0 comments

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